Insurgência

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Nos últimos dias, houve rebeliões na Argentina, Chile, Catalunha (Espanha), Colômbia, Equador, França, Haiti, Hong Kong, Irã, Iraque, Inglaterra (Brexit) e Líbano. Milhões de pessoas querem mudar de vida e, pelo que parece, já. O crescimento dessa insurgência são resultados de política apodrecida e desigualdade social criados pela economia neoliberal. As multidões manifestam empobrecimento e desigualdade, e apontam seus mutilados e mártires.

Os colombianos foram às ruas a partir de 21 de novembro para protestar os índices de 25% de pobreza e 10% de desemprego. A greve geral que levou 250 mil pessoas às ruas em várias cidades na Colômbia deixou três mortos, centenas de feridos, quase cem presos e rastros de saques e de confrontos. As maiores reclamações foram a rejeição a reformas para flexibilizar o mercado de trabalho e o sistema de aposentadorias.

Na Bolívia, o caos continua e sem acordo às eleições. O Chile está um país desigual, dividido e fortemente ressentido com a desigualdade histórica. Sente-se que os sistemas econômico e político não funcionam mais à maioria, pois vive-se hoje em situação de grande vulnerabilidade com altos gastos em saúde e educação, com um futuro com baixas aposentadorias.

Sem reduzir a desigualdade, é improvável que ocorra o destravamento da economia. O antigo pensamento de fazer o bolo crescer para depois distribuir sabe-se que nunca funcionou. O negócio é que o bolo não crescerá porque a situação do Brasil é precária e altamente instável. Se não houver isso, é um assalto à democracia, ao Estado de direito, às liberdades e à condição humana. Passados mais de três anos desde o afastamento de Dilma Rousseff, ainda é baixíssimo o crescimento de renda e salários, existindo alto desemprego, redução do emprego formal e aumento da desigualdade.

Grupos de extrema direita foram às ruas recentemente para atacar o Supremo Tribunal Federal, e alguns deles, sob pretexto de defender a nação, chegaram a prestar continência a uma réplica da Estátua da Liberdade, em frente a uma loja da Havan. Só faltaram cantar o hino nacional dos EUA. Essa nova economia que defende o combate à corrupção destruiu desnecessariamente empresas e empregos em nome dessa luta que, na verdade, se revelou em perseguição política que fez vistas grossas à violação de normas básicas da democracia contra seus adversários, por politizar o judiciário e judicializar a política.

A defesa de Ustra, Pinochet e Stroessner é visão tosca sobre globalização, que mistura política com religião, obsessão por armas, cultura do corporativismo, desprezo pela democracia, liberdade de expressão, igualdade de direitos, dignidade da pessoa humana, e respeito à diversidade e ao mundo globalizado. Com o possível afastamento de Trump e de que Netanyhu seja indiciado em Israel por suborno, abuso de confiança e fraude, ambos os maiores ídolos do Bolsonaro, não só aparecem ameaçados, como ameaçam o discurso dele e do seu novo partido. Desejam restaurar uma ordem perdida, assentada numa escala de privilégios naturais protegidas por grupos que se dizem religiosos e pelas milícias. Não se pode esquecer de que a república tem que ser democrática, com ideia de soberania popular. A negação disso pode levar à insurgência.

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