
No dia 19 de novembro próximo passado, aconteceu a Vernissage “Origens: de filha para Mãe”, onde a Professora palmense Izabel Cristina Ribas Rodrigues Calliari expos 22 telas pintadas a óleo, em homenagem a sua Mãe. A Vernissage, evento que inaugura uma exposição, foi organizada pelo Departamento de Cultura sob a direção da Professora Cassimara Rita Longhi. O objetivo da homenagem, segundo Izabel “…foi falar através da arte, sobre a importância de reconhecer nossas origens, o lugar de onde viemos, quem foram nossos Pais, Avós, a maneira de como falamos, nossos valores, cuidar com amor da cidade onde moramos ou fomos criados…”. Para a autora, que homenageia sua Mãe, a reconhecida Professora e Historiadora Eloyna Ribas Rodrigues, as nossas origens traduzem nossa essência, o que nos torna sujeitos únicos. Segundo Izabel que não reside mais em Palmas há 20 anos, esses valores ela aprendeu com sua Mãe e acredita ser importante passar esse conhecimento à frente, como forma de ajudar na construção de uma sociedade mais evoluída. A Vernissage aconteceu no Centro Cultural Dom Agostinho José Sartori e contou com a participação de convidados, amigos da família e comunidade. A exposição dos quadros segue até dia 04 de Dezembro na Biblioteca Pública Municipal. Após essa data, os quadros seguem para ser expostos em Guarapuava, Lapa e Canoinhas. Izabel agradece a toda a equipe do Departamento de Cultura pela atenção e organização do evento.


Izabel:
Antes de iniciar, quero fazer um agradecimento especial ao Prefeito em exercício, o jovem Bruno Goldoni, filho da Professora querida Rossana Goldoni que foi minha Professora de 4ª série. Sei de cor quem foram meus professores porque acredito na importância de todos na minha formação.
Agradeço demais a Cassimara Rita Longhi, Diretora do Departamento de Cultura, que tece a sensibilidade de permitir que eu fizesse essa exposição. Vejo que a Cassi tem um brilho nos olhos quando fala da Cultura de Palmas. Podemos esperar dela grandes projetos, tenho certeza.
Quando a Mãe recebeu o título de cidadã benemérita de Palmas, no fim de 2019, foi uma emoção muito grande pra toda nossa família. Mas a pessoa mais feliz e orgulhosa de todas foi com certeza a minha filha Letícia. Ela ficou maravilhada vendo a Vovó Luína ganhando um prêmio e todas as pessoas cumprimentando e abraçando sua Vovó. E mais feliz ainda ela ficava quando alguém vinha e cumprimentava ela também, dizendo que a sua Vovó era uma pessoa muito importante. A Mãe sempre impressionou muito a Letícia, desde quando ela era pequenininha e Mãe ensinava o nome das estrelas e dizia o nome das capitas dos estados e o nome dos países e contava sobre a história do Brasil. Quando eu não sei alguma coisa ela sempre diz, vou perguntar pro Google, se ela não souber, a Vovó sabe. Quando ela era pequenininha ela me perguntou se a Vovó tinha inventado a lupa, porque era um objeto que ela só tinha visto aqui em casa. Ela também ama o Vovô, mas pelo divertimento e as coisas engraçadas que o João Louco proporciona a ela. Então, desde o dia da entrega do título, resolvi fazer uma homenagem para os dois. Voltei para o Porto e comecei a escrever um livro sobre as memórias e peripécias da minha infância e juventude, que retratavam as loucuras vividas com meus Pais. Aí veio a Pandemia, e decidi não postergar mais a homenagem que queria fazer para a Mãe. Como ela sempre foi uma exímia pintora e a Letícia puxou esse dom, resolvi arriscar e voltei a pintar telas com tinta óleo. Aprendi a pintar com a irmã Dulcema no Colégio das Irmãs e aprimorei minha técnica fazendo aulas nas cidades onde morei. Essa prática ficou adormecida, mas veio com tudo no período de enclausuramento da pandemia. Então comecei. E as primeiras imagens que comecei a pintar foram aquelas que residem no meu imaginário emocional, que me constituíram na pessoa que me tornei e que me fizeram ser quem eu sou e que, certamente, vão ser muito importantes na formação da personalidade da minha filha. Como cresci escutando a frase, filho de peixe peixinho é, embora muita literatura discuta a veracidade desse fato, no meu caso, ela cai como uma luva para decifra quem nós somos, quem são as filhas, netas, primas descendentes das minhas duas famílias, tanto materna quanto paterna. A relação familiar, o apreço a tradição, a influência da cultura e o amor a minha raiz é tão latente em mim que não pude deixar de pintar tudo o que me cercou e cerca até hoje. A minha casa, a minha Mãe, minha grande influenciadora na vida, minha Palmas querida que eu amo, e a quela frase famosa, a gente sai de palmas mas palmas não sai da gente é bem verdade, e agora, o amor pela minha filha e o reconhecimento nela, de muitas habilidades que a minha Mãe tem e que passaram para ela também me emocionam demais. Penso que reconhecer de onde viemos, quem são nossos avos, nossos pais, nossa raiz cultural, acreditar o quanto é importante manter a história viva das pessoas e das coisas é o mínimo que podemos fazer para demonstrar nosso respeito aos que fizeram e já nos deixaram. Eu fico pensando, o que seria da Itália sem o Coliseu, as fontes e as Igrejas? O que seria do Egito sem as pirâmides? O que seria da Holanda se os moinhos que drenam as águas dos rios fossem destruídos? O que seria de Salvador se o pelourinho fosse derrubado para a construção de prédios coorporativos? O que será de Palmas se nossas antiguidades continuarem a ser demolidas, destruídas, desconsideradas? O que sera de Palmas se as pessoas com conhecimentos vasto continuarem a ser consideradas obsoletas? Nem tudo o que é velho tem que estar em desuso. Palmas é a Mãe do Sul/Sudoeste do Estado. Temos que amar nossa cidade, nossas riquezas históricas, nosso povo de idade, nossas lembranças, nossas tradições, nossa cultura. Eu nasci em Pato Branco mas nem falo isso porque sou um palmense que aprendeu com outra palmense a não ter vergonha de ser assim, simples, interiorana, que tem um jeito próprio da cultura de falar. Já pensou se todos nós pudéssemos amar mais nossa terra e nossa gente? Seria mais fácil fazer com que nossas crianças, adolescentes e jovens também tivessem esse amor por Palmas e por quem construiu essa cidade. Que a história das pessoas e das coisas daqui seja contada nas escolas. Esse é meu desejo, porque esse é o desejo da minha Mãe. Penso que a homenagem póstuma tem seu valor, mas é muito mais importante homenagearmos as pessoas enquanto elas estão aqui. E essa é a forma que eu tenho de fazer essa homenagem. Não é apenas sobre a minha Mãe. Essa é uma homenagem a Professora Eloyna Ribas Rodrigues, Professora, Historiadora e defensora da ideia de reerguer a cidade a partir do que já temos, sem te que destruir para reformular aquilo que já existe. E foi assim, por esses motivos, que resolvi pintar esses 22 quadros que compõem a coleção Origens: de filha para Mãe. Que todos os filhos considerem suas origens. Que todos os filhos de Palmas, considerem suas raízes. Espero que gostem. Meu muito obrigada a todos.
Fotos: Diego Funaro

Fonte: Jocemar Ferreira da Silva
com informações de Izabel Cristina Ribas Rodrigues para o jornal Destaque Regional