Centenas de pessoas estiveram presente na palestra de preconceito linguístico do IFPR Palmas

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Mais de 300 estudantes e professores dos cursos de licenciatura acompanharam, na última sexta-feira (20), a palestra sobre preconceito linguístico promovida pelo Instrituto Federal do Paraná (IFPR) Campus Palmas, no Sudoeste do Paraná. O evento, no Centro de Cultura Dom Agostinho José Sartori, foi comandado pelo professor Marcos Bagno (UnB).
O debate marcou o lançamento oficial do curso de Pós-Graduação em Linguagens Híbridas e Educação do IFPR Palmas. Na palestra, Marcos Bagno apresentou um panorama da história da Língua Portuguesa e suas modificações ao longo do tempo. Ele abordou ainda as variações da língua, como o português pode apresentar um leque de expressões e usos característicos de cada região.
“É preciso ter cuidado para não ensinar a variação culta da língua como a única forma de uso, é importante o docente ter em mente que não se deve promover o preconceito linguístico estabelecendo termos como ‘certos’ e ‘errados’ em sala de aula, pois isso só afirma um posicionamento e a discriminação, por exemplo”, orientou o professor.
O palestrante colocou ainda que “o professor deve ter uma formação linguística muito sólida para entender os procedimentos de variação das línguas e não os interpretar e valorar como erros”, disse. O público também teve a oportunidade de comprar os livros do professor que, ao final, autografou as obras.
A estudante Bruna Marques, do 7º período de Letras, que tem como projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) “A linguagem utilizada nas redes sociais e sua interferência na escrita: Um estudo sobre o preconceito linguístico”, destacou a vinda do professor. “A presença dele é de extrema importância, não só para minha pesquisa, mas sim pela necessidade de atingir esse meio, posto que, boa parte do público era das licenciaturas em geral”, disse.
E completou: “Por isso a importância deste tema, pois o combate ao preconceito linguístico passa principalmente pelas práticas escolares. É preciso que, principalmente os professores, não sejam perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação”, ressaltou a estudante.
O professor Jacob Biziak, coordenador da Pós-Graduação, também destacou a presença professor em Palmas. “O Marcos Bagno revelou, mais uma vez, a necessidade profunda de um estudo científico da língua, no sentido de a compreender para além de uma visão em que somente existe a gramática culta”, disse.
“Ou seja, quando olhamos para o funcionamento do idioma, e somente prestamos atenção ao cumprimento ou não de regras – fora de contexto, descon-siderando o falante e em qual atividade humana ele está atuando – estamos desen-volvendo um olhar baseado no senso comum, no clichê”, avaliou Biziak.
Segundo ele, da mesma forma que o exercício da medicina, das engenharias e da farmácia exige um estudo específico, honesto e detido, a docência de professores de língua também o exige. “Isso deve ser pensado não para criar abismos entre a ‘academia ilustrada’ e o ‘povo’; ao contrário: justamente para que consigamos entender como a língua funciona mediante as reais necessidades do falante, o qual, na prática, não é um ser abstrato”, concluiu.

Assessoria de Comunicação

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