AVANÇAR OU RETROCEDER?

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O Brasil deixou de ser o país do futuro e, parafraseando Juscelino Kubitscheck, que reconstruiria o Brasil em 5 anos o que outros governantes fariam em 50 anos. Bolsonaro tem um projeto de 40 anos em 4, mas para trás: voltando ao mundo do final do regime militar e da guerra fria! O Vice-Presidente Hamilton Mourão, em entrevista ao programa da TV Conflict Zone, da Deutsche Welle, disse: o que posso dizer sobre o homem Carlos Alberto Brilhante Ustra? Ele foi meu comandante no final dos anos 70 do século passado, e era um homem de honra e que respeitava aos direitos humanos de seus subordinados. Pergunta-se: como é possível chegar ao generalato defendendo um homem que passou à memória brasileira um símbolo da tortura e assassinato?

Enquanto isso, no mundo real, a fuga de investidores estrangeiros do Brasil das aplicações de risco em 2020 deve mais do que dobrar em relação ao registrado em 2019. Para investimentos direcionados ao setor produtivo, geralmente de longo prazo e voltados à ampliação de empresas comerciais e industriais, o Brasil também atrairá bem menos dinheiro neste ano: cerca de US$ 49 bilhões, ante US$ 73 bilhões em 2019. Em um ano, os vencimentos em doze meses de papéis da dívida pública praticamente dobraram de R$ 553 bilhões para R$ 1,02 trilhão, atingindo quase 25% da dívida total.

Por outro lado, quase a metade dos empregos existentes no país são de qualidade ruim, com salários baixos, instabilidade ou jornada excessiva, correspondente a 41 milhões de ocupações. Existe um problema estrutural que limita a oferta de boas vagas no Brasil: a baixa produtividade dos trabalhadores, reflexo de pouco investimento em educação, dificultando setores mais dinâmicos que crescem e geram muitos empregos no país.

Sobre inflação, há sinais claros que existe continuidade de aumentos nos preços do setor alimentação dos mais pobres e corre-se o risco de terminar 2020 com alta acima da média. A combinação de maior consumo de refeições dentro de casa e dólar alto tornou os alimentos mais caros. Com demanda maior por comida, a oferta aumentou e os preços subiram. Ao mesmo tempo, a forte desvalorização do real em relação ao dólar, na crise econômica originada pela covid-19, teve influência no setor. Houve maior exportação de alimentos porque o dólar mais atrativo, reduzindo ainda mais a oferta desses itens. As commodities agropecuárias ficaram mais caras, elevando o preço de alimentos derivados. Com menor renda e alimentos mais caros, cria sensação de inflação mais alta entre os mais pobres.

O fim do benefício que não será mais pago a partir de janeiro, acredita-se que a ausência desses recursos aos pobres terá efeito negativo e rápido: a interrupção dos pagamentos aumentará o total de pobres de 23% (50 milhões de pessoas) para cerca de 31% (66 milhões). Para que a pobreza não aumente tanto, a economia e o emprego teriam de passar por fortíssima recuperação, com impactos positivos sobre a renda, algo fora da maioria das previsões. Parece mesmo que se está retrocedendo no tempo, voltando aos anos 1970.

Edmundo Pozes
Pós-Doutor em Administração
Docente Associado do IFSC

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